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Oportunidades

Monitoramento aéreo, sensores IoT e novos métodos de quantificação impulsionam avanço da TotalEnergies no combate às emissões de metano

Na Energy Week, empresa detalha tecnologias que elevam a precisão do monitoramento e já resultam em forte queda nas emissões operacionais de metano.

A jornada para emissões quase zero — complexa, cheia de bifurcações tecnológicas e decisiva para o futuro da indústria de energia — foi o centro da apresentação de Paulo Chiquito, da TotalEnergies, no painel Descarbonização, Segurança e Eficiência da Produção de Óleo e Gás, realizado na última sexta-feira (5/12) durante a Energy Week, promovida pelo CEPETRO/Unicamp, em Campinas (SP). 

O executivo apresentou os avanços recentes da companhia no combate às emissões — especialmente metano, gás cujo potencial de aquecimento global, segundo ele, é quase 30 vezes superior ao do CO₂. Ele explicou que esforço de descarbonização da TotalEnergies articula quatro pilares: cultura interna, uso intensivo de dados, aceleração tecnológica e parcerias estratégicas.

Entre os destaques está um sistema aéreo de detecção de metano composto por drones, sensores e estações meteorológicas capazes de medir, com alta precisão, vazamentos e fluxos de emissão. A tecnologia, desenvolvida internamente, já é utilizada globalmente e vem sendo implementada também em operações no Brasil. Em um campo operado no país, afirmou Chiquito, a redução das emissões de metano já atingiu 85% desde o início das medições, em 2021.

O executivo também detalhou o uso de sensoriamento permanente — câmeras infravermelhas e uma ampla rede de sensores IoT — que hoje supera 11 mil dispositivos instalados nas unidades de produção e exploração da companhia. No campo operado no Brasil, cerca de 600 sensores já foram distribuídos para formar uma malha de detecção contínua de metano. Esses dados alimentam sistemas de correlação processual e permitem quantificar emissões de flaring com base em medições reais, substituindo fatores conservadores antes usados nos inventários.

Essas inovações, explicou, são fundamentais para que a companhia avance rumo às metas de 2030 e aos objetivos de longo prazo da companhia. Todos os novos projetos da TotalEnergies já incorporam um preço interno de carbono de US$ 100/tCO₂e, mesmo onde não há regulação específica, como forma de orientar decisões de investimento.

Modelagem híbrida: física, IA e dados

Na sequência, Oscar Rodríguez, professor da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP), apresentou resultados de um conjunto de experimentos conduzidos no Laboratório de Escoamentos Multifásicos Industriais — infraestrutura de 2 mil m² projetada para reproduzir, com alta fidelidade hidrodinâmica, condições encontradas em plataformas do pré-sal. 

Rodríguez mostrou como o laboratório utiliza um gás de alta densidade para simular condições multifásicas semelhantes às encontradas no pré-sal, permitindo avaliar comportamentos de mistura, transientes operacionais e vazamentos pequenos, médios ou grandes em ambiente controlado. O objetivo: entender como sistemas de detecção —especialmente os baseados em IA — respondem a eventos reais.

Os experimentos indicam que, embora ferramentas tradicionais de previsão funcionem bem em cenários convencionais, seu desempenho cai drasticamente em situações associadas a injeção de CO₂ para CCS, com erros que podem superar 500% em trechos descendentes.

“O futuro passa pelo modelo híbrido — física e inteligência artificial caminhando juntas. A IA sozinha não resolve a complexidade de uma plataforma”, afirmou Rodríguez, reforçando a necessidade de sensores de alta frequência, modelos hidrodinâmicos aprimorados e dados experimentais robustos para calibrar algoritmos. 

Segurança, CCS e novos marcos regulatórios

Já Sávio Vianna, professor da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp e pesquisador associado ao CEPETRO, abordou o tripé segurança, eficiência e descarbonização, destacando que esses elementos não competem entre si — ao contrário, precisam evoluir de forma integrada.

Vianna chamou atenção para os desafios associados ao sequestro e armazenamento de carbono (CCS), especialmente diante das características físico-químicas do CO₂. O gás possui ponto triplo baixo e pode, em condições de perda de integridade, assumir simultaneamente estados gasoso, líquido e sólido (gelo seco), o que complica sua dispersão e exige modelos específicos de análise de risco.

Ele ressaltou que novas cadeias energéticas — CCS, hidrogênio, bioenergia e digitalização — só serão implementadas com segurança se acompanhadas por normas, regulações e metodologias adequadas, que ainda precisam avançar no Brasil.

“Se vamos criar coisas novas, precisamos definir como serão regulamentadas. Segurança do processo e análise de risco são essenciais em qualquer trajetória de descarbonização — principalmente quando lidamos com tecnologias emergentes”, afirmou. 

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